O conteúdo desta secção foi desenvolvido em parceria com a Teach Us Consent, uma organização dedicada à educação sobre o consentimento
Honestidade desde o Início
Uma relação saudável não te deixa com dúvidas. Desde as primeiras conversas, a pessoa fala abertamente sobre o que procura, quer seja algo casual, a longo prazo ou até apenas uma amizade por ter mudado de cidade recentemente.
Isto é diferente de alguém que está genuinamente a tentar perceber o que quer, ou de duas pessoas que simplesmente têm ideias diferentes relativamente ao que significa “casual”. Tentar chegar a um acordo é normal e é algo que uma comunicação aberta pode ajudar a esclarecer.
O que não é aceitável é induzir alguém em erro deliberadamente. Ou seja, por exemplo, alguém que diz que quer uma relação séria quando na verdade só está à procura de ter relações sexuais, ou que age como se quisesse uma relação quando na verdade nem tem assim tanto interesse nisso.
Comunicação clara
Uma comunicação clara pode ser difícil até nas circunstâncias mais favoráveis. Por vezes, um interesse genuíno pode tornar difícil ganhar coragem para partilhar o que sentes ou queres. É bom relembrar que a comunicação saudável é uma habilidade e, como qualquer outra, quanto mais a praticares, mais fácil se torna.
Uma boa comunicação não diz respeito apenas ao que verbalizas, também envolve garantir que o que estás a dizer fica claro para a outra pessoa. Quando a comunicação é clara, irás reparar: a outra pessoa mostra interesse, faz perguntas e responde de uma forma que te faz sentir validação e compreensão e, principalmente, te faz sentir à vontade o suficiente para agires com sinceridade, dizendo “não,” “ainda não,” ou “isto é o que eu realmente quero”.
Lembra-te: todas as pessoas têm estilos de comunicação e tolerância a contacto diferentes. Algumas pessoas adoram enviar mensagens longas, outras preferem mensagens curtas e partilhar novidades pessoalmente. Nenhuma está errada e uma não é mais “saudável” do que outra, mas conheceres o teu estilo e comunicá-lo diretamente à outra pessoa poupa-te a muita confusão mais tarde. Além disso, ninguém deve esperar que estejas disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, especialmente no início de uma relação. E isto aplica-se nos dois sentidos.
Durante as relações
Estar numa relação não dá a ninguém automaticamente direito a sexo, ao teu tempo, dinheiro, energia emocional ou trabalhos domésticos. As relações saudáveis reconhecem que cada pessoa mantém a sua autonomia e isso não muda quando estão oficialmente numa relação.
As suposições é que criam os problemas. Quando paramos de perguntar e começamos a assumir que a pessoa com quem estamos aceita algo, os limites tornam-se menos claros. E quando estes não são comunicados, podem ser ultrapassados, mesmo que inavertidamente.
O consentimento numa relação não é uma conversa que se tenha apenas uma vez. É um exercício constante de perguntar, comunicar abertamente e respeitar as escolhas de cada pessoa à medida que a relação se desenvolve. Quando ambos se sentem seguros para dizer “sim”, “não” ou “ainda não”, acontece algo muito importante: a confiança constrói-se. E é essa confiança que cria as condições necessárias para se ter intimidade real – emocional e física.
Lidar com a rejeição
A rejeição é uma parte normal do mundo dos encontros. A forma como uma pessoa se comporta quando as coisas não lhe correm de feição diz muito sobre ela.
A rejeição nunca sabe bem. E também não há problema em reconhecer isso – é bom alguém expressar que sente desilusão ou tristeza relativamente à forma como as coisas terminaram. O que se torna um problema é quando alguém reage com hostilidade, faz chantagem emocional ou até recorre a insultos, desprezo ou intimidação contra a pessoa que não quer continuar a relação.
Se fores alvo de rejeição, é normal sentires desilusão. Aceita o que sentes, apoia-te nas pessoas de quem gostas e dá tempo ao tempo. Não encares a rejeição como um reflexo do teu valor, mas sim como uma aprendizagem sobre o tipo de relações e conexões em que queres investir.
Alguém que diga diretamente que não sente uma conexão está a fazer o que é correto. Está a respeitar o teu tempo e a ter consideração suficiente para não te enganar. Em troca, merece o mesmo respeito.
Errar e assumir responsabilidade
Todas as pessoas cometem erros. Quando se sai com alguém ou se tem uma relação, não é uma questão de “se“ vai acontecer, mas sim de “quando“. O que importa muito mais do que o próprio erro é o que acontece a seguir.
Assumir responsabilidade significa encarar o que aconteceu, reconhecer o impacto que teve na outra pessoa e pedir desculpa sem tentar esquivar-se. “Era só uma brincadeira“, “és muito sensível“ ou “não era a minha intenção“ podem parecer explicações, mas desviam o foco da pessoa que foi magoada. Um pedido de desculpas genuíno assume responsabilidade pelo comportamento, ponto.
Também significa cumprir o que se promete. Pedidos de desculpa sem mudanças de comportamento são apenas palavras. Comprometer-se em fazer melhor – e cumpri-lo – é essencial para reconstruir a confiança.
Por outro lado, fugir à responsabilidade, não dar importância ou esperar que a outra pessoa simplesmente supere o problema vai corroendo a base de uma relação. Mesmo que não o verbalize, a pessoa nota quando a outra não assume um erro.
Corrigir as coisas nem sempre é fácil ou confortável, mas é essencial numa relação saudável. A disposição para assumir os erros e crescer com eles diz mais sobre a pessoa que és do que o próprio erro alguma vez conseguiria dizer.